Existe limite de idade para a sexualidade feminina?

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A sexualidade acompanha as pessoas por toda a vida. Por que, então, a dificuldade em lidar com o tema com o passar dos anos? Basicamente porque existem preconceitos que dificultam a percepção da sexualidade na mulher no climatério. Por exemplo, o sexo em nossa sociedade está intrinsecamente ligado à juventude. Alguém estabeleceu que a sexualidade inicia na adolescência e termina com a chegada da menopausa. Na publicidade as pequenas conotações sexuais e sensuais que envolvem idosos são tratadas de maneira infantilizada. Sou favorável à prerrogativa do sexólogo Ricardo Cavalcanti: as mudanças relacionadas com o avançar da idade não são fatores determinantes de dessexualização. A idade não dessexualiza a mulher e o homem, a sociedade sim.

A sexualidade está presente durante toda a vida e, quando não reprimida, pode ser vivenciada até o fim da existência. Agora, tentar manter o padrão sexual da juventude – incompatível com as mudanças fisiológicas do corpo – vai com certeza trazer frustração e descontentamento. Isso pode instalar uma crise permanente na pessoa e torna-la avessa.

Há pouco tempo foram apresentados estudos bem consistentes sobre a existência de receptores de hormônios sexuais no cérebro e sua repercussão decisiva para o bem-estar da mulher. Outro ponto importante é o aparecimento dos sintomas mais comuns no início da deprivação hormonal, como ondas de calor, o ressecamento vaginal e os distúrbios urinários. A mulher que tem qualquer um desses sintomas não consegue ter uma vida sexual plenamente satisfatória, pois pioram em muito a qualidade de vida. Então combater os sintomas e preservar o bem-estar é fundamental para a libido. Fica claro que uma mulher desinformada pode associar esses problemas ao seu desejo sexual e simplesmente reprimi-lo.

Então tratar de forma adequada os sintomas do climatério seria um bom começo para melhorar a vida sexual da mulher? Sim, mas não é tudo. Esse fator biológico repercute de maneira individualizada. Se o relacionamento do casal é baseado em anos de mentiras, desencontros, mágoas recíprocas, dificilmente essa mulher vai ter uma vida sexual de qualidade, simplesmente porque ela nunca teve. Não é a reposição hormonal, os cuidados com a dieta e exercícios regulares que irão “resolver” o problema sexual do casal.

O cuidado da mulher nessa fase pode fazer reviver uma paixão esquecida e que agora, sem preocupação com a gravidez, sem culpas, pode ser ainda mais intensa; ou ainda despertá-la para a vida. Usando um refrão dos anos 60, com informação e cuidados preventivos, a mulher pode fazer a hora, não precisa esperar acontecer.

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