O Esquecido Vinho Rose

wine-1447969_1920É possível que nenhum outro país rejeite tanto os vinhos rosados ou roses, quanto o Brasil. Em função do nosso clima, com muitos dias quentes e ensolarados, deveríamos, pelo contrário, apreciar um bom rose (seco, é claro). Por serem refrescantes os rosados poderiam ser maravilhosamente degustados em um caloroso dia de primavera e/ou verão. Os motivos de tamanho preconceito são inúmeros, sejam nas pessoas que não conhecem vinhos, sejam naquelas que dizem conhecer (e conhecem) alguma coisa. A falta de conhecimento ou acesso a um exemplar de um bom produtor, ou a experiência de ter degustado anteriormente um rose ruim, em geral um rose doce, tipo d’Anjou (francês) ou Mateus Rose (português), são as explicações mais freqüentes dessa resistência aos roses.

Sem dúvida, a conversa seria outra se essas pessoas tivessem a oportunidade de degustar rosados (ou roses) franceses de qualidade como do Domaine Ott (com sua garrafa em forma de ânfora) de Provença, região que praticamente domina este mercado. A Espanha também tem tradição (e boa) na feitura de rosados, podendo vinificá-los em diferentes regiões como Rioja, Ribera del Duero, Penédes, etc. Portugal e Itália também têm produtos rosados de boa qualidade no mercado brasileiro. Do mesmo modo, podemos encontrar bons roses do Novo Mundo. É só ir desarmado (de preconceitos) à “caça” que eles existem. Infelizmente, por outro lado, concordo que a grande maioria dos roses seja de qualidade razoável ou ruim, porém, vale o aprendizado.

O vinho rose se obtém de uva tinta vinificada como branco – na realidade é uma vinificação de branco –, depois de uma breve permanência da casca da uva tinta na maceração – o suficiente para obter a cor/tonalidade características. É na casca da uva que estão os pigmentos que dão a cor vermelha e grande parte do tanino. Portanto, por ser breve o período de contato com a casca – o suficiente para o suco se tornar rosado-, período este em que o suco e a casca misturam entre si, a absorção de tanino é mínima. É assim que se faz o rose verdadeiro.

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Delicioso rose francês do Loire.  

Os roses são degustados como se fossem vinhos brancos resfriados e ainda jovens, pois, neste caso, o que se busca é a sua vivacidade e frescor presentes na juventude do vinho. Os roses, na sua maioria, são agradáveis e refrescantes, sem muita persistência. Entretanto, alguns podem ter mais corpo. Estes são perfeitamente capazes de se harmonizar com pratos mais estruturados. Acompanham, e bem, peixadas e carnes brancas (lombo de porco, frango assado, etc.). A maioria, entretanto, é excelente companhia para uma mesa de bar, beira de piscina ou praia, “jogando conversa fora”, ou tendo à grelha um peixe ou um camarão (frutos do mar de um modo geral).

Os champagnes roses são feitos pela inclusão de pinot noir tinto na mistura do vinho básico, e, em algumas casas, são feitos a partir de uvas pretas (vinificação em branco). Com relação aos espumantes e champagne o preconceito é menor. Mais potentes e estruturados, acompanham maravilhosamente uma refeição. A cor rosa-salmão dá um toque especial à visão das borbulhas. As casas Roederer, Billecart-Salmon, Gosset, Taittinger produzem magníficos champagnes rosados.

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