O vinho e as mulheres

vinhoPodemos e devemos imaginar a bebida de Baco no gênero feminino, como graciosa e elegante. Em belíssimo artigo, publicado na revista Gourmet Life, a sommelière paulista Sônia Denicol é muito feliz quando afirma que “a delicadeza de gestos e traços inerentes ao gênero feminino em nada significa que sua orientação seja para vinhos leves, suaves e adocicados. Com uma sensibilidade mais apurada, é possível para as mulheres perceber mais profundamente todas as nuances do vinho, orientando-as na busca de qualidade, elegância, equilíbrio e expressão, sem nunca perder de vista o prazer que o vinho proporciona. Quando produtoras, além de qualidade, balizam o objetivo da elaboração de seus vinhos também pelo prazer que irão proporcionar aos apreciadores”.

É falso afirmar que as mulheres preferem vinhos brancos e espumantes. Em uma pesquisa realizada em Nova Iorque, 57% das mulheres consultadas preferiram o vinho tinto, somente 30% preferiram o branco e 6% elegeram o espumante. Podemos pressupor que, entre os grandes tintos, a preferência recaia pelos franceses da Borgonha que, por sinal, são chamados de femininos. Entre os vinhos dessa região, os de Chambolle-Musigny talvez sejam os que melhor expressam a feminilidade. Em Bordeaux é na região de Margaux, que são produzidos os tintos de maior delicadeza e elegância, portanto, seriam os mais associados ao universo feminino.

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Em uma entrevista, a escritora chilena Isabel Allende, diante da colocação de preferência da mulher por vinho branco e ser este o feminino, disse: “Non me digas! Y a mí que me gusta el tinto… Deben estar fallándome las hormonas”. Brincadeiras à parte, também colocou que a uva cabernet sauvignon a inspiraria a escrever sobre uma paixão adúltera; chardonnay, novelas de espionagem; pinot noir, contos de fantasmas e a carmenère, cepa emblemática chilena, uma novela erótica.

Falando em escritoras, não há como deixar de reconhecer que entre os críticos de vinho e livros mais lidos sobre essa temática estão os de Jancis Robinson, Serena Sutcliffe, Joanna Simon e Fiona Beckett. Estariam em mesmo nível dos dois escritores e críticos de vinho mais consagrados no mundo, o norte-americano Robert Parker e o inglês Hugh Johnson.

A participação feminina, nos cursos de degustação, nas jornadas e viagens enológicas é outra realidade cada vez mais visível. De maneira crescente vemos a formação de confrarias idealizadas e formadas apenas por mulheres. Isso é muito bom, pois em geral ela é detalhista e mais apaixonada do que o homem nas coisas que faz. O vinho necessita dessa dedicação para iniciar a descoberta de seus valores.

“Se vinhos são mesmo vivos como se costuma dizer, então é uma alma feminina que habita dentro deles e enfeitiça todo aquele que toca uma taça de vinho como se fosse num beijo”, diz Sônia Denicol.

Aproveito e parabenizo todas as mulheres pelo seu dia -8 de março-, e peço uma reflexão à todos que tentam entender as diferentes faces da alma feminina, com uma citação da poeta gaúcha Caroline Salcides: “A alma de uma mulher é antiga, infinita e cheia de segredos. Sorva-a aos poucos, como o vinho. E não queira decifrá-la toda, em todos os seus gostos e sensações. Deixe um pouco para amanhã. E surpreenda-se, sempre”. Brindemos a elas. Tin-tin!

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