Chablis e seus vinhedos Grands Crus

fullsizerenderAo se falar sobre o mais conhecido vinho branco francês – o Chablis-, não há como deixar de enfatizar que este se tornou famoso, dentre outros predicados, muito pela riqueza de sua mineralidade, originária de seus solos pedregosos e calcários fossilizados (kimméridgian).

Chablis está inserida na região vinícola da Borgonha, na metade do caminho entre Paris e Dijon, com vinhedos em vinte comunas (ou cidades), classificados em quatro apelações (appellations). Na base da pirâmide dessas apelações, temos o Petit Chablis (360 hectares), e progressivamente, até o topo, temos o Chablis (maioria, 2330 ha), Chablis Premier Cru (773 ha) e no ápice o Chablis Grand Cru (7 climats, 100,6 ha).

Os sete vinhedos Grands Crus – Les Clos, Blanchot, Valmur, Grenouilles, Vaudésir, Bougros e Preuses, mostram-se com particularidades interessantes, porém difíceis de serem descobertas quando em degustações às cegas. As especificidades de cada um dos terroirs, não são tão fáceis de serem identificadas no vinho, como bem mostrou Antoine Gerbelle em artigo na La Revue du Vin de France, quando convidou 5 eminentes experts em Chablis para descobrir qual vinho estavam degustando. Difícil a identificação dos Grands Crus (GC), mais ainda se deu, quando a proposta foi de 7 Premiers Crus (Montée de Tonnerre, Côte de Léchet, Mont de Milieu, Fourchaume, Vaillons, Montmains e Beauroy). Há cerca de 30 vinhedos Premieres Crus e geralmente mostram mais complexidade e mineralidade que o simples Chablis.

Gerbelle caracteriza bem cada um dos GC quando já nos subtítulos do texto faz as associações: Les Clos, o arquétipo; Blanchot, o austero; Valmur, retido ou contido na fonte; Vaudésir, o mais feminino; Preuses, o indefinível; Bougros, o produtivo e Grenouilles, o delicado.

O mais conhecido de todos é o Les Clos, representando o terroir mais vasto (um quarto da superfície dos GC). Praticamente todas as grandes casas (Domaines ou vinícolas) têm parcelas neste famoso vinhedo (fazem o seu Les Clos) cuja reputação se dá também pela sua enorme capacidade de envelhecimento. “Muito fechados em sua juventude, o Les Clos permite explodir toda sua profundidade passados vinte anos de guarda”, diz Gerbelle. Aqui temos a chardonnay (única uva presente no Chablis) em toda a sua pungência, rica em álcool, cujo poder vai sendo domado pelo tempo na garrafa. Tem que se ter paciência quando se tem às mãos um bom Les Clos, ainda mais se for de boa safra. E você, com a espera, com certeza, será muito gratificado.

Blanchot, que recebe este nome pela brancura de seu solo calcário, tem nos vinhos uma austeridade incompreendida (pela forte mineralidade), que alguns tentam domá-la utilizando uma boa proporção de barricas novas. Porém, outros ficam encantados pelo seu aspecto mais brutal e pela sua secura cortante. Nada de algo doce (dose quase homeopática) que poderia se encontrar em outro, como em um Les Clos.

Ao falar do Valmur (no centro das colinas dos GC), de imediato o associamos a vinho fechado, com dificuldade em se abrir, de acidez marcante. Na série apresentada por Gerbelle, foi o mais fácil a ser identificado pelos experts, pelo seu caráter atarracado, emburrado (fechado).

Entre Preuses e Grenouilles, Vaudésir, com seu solo mais argiloso que calcário, seus chardonnays são os que mais precocemente podem ser abordados, ainda em sua juventude. Em seu território, uma parcela de 2,35 hectares é declarada com o nome de Moutonne (monopole da Domaine Long-Depaquit, inclui ainda uma pequena parte de Preuses). Em geral o La Moutonne é impressionante, muito raro e caro.

De Preuses, dependendo do sítio, nascem dois vinhos distintos: fechado, introspectivo (área mais próxima de Bougros) e o outro, mais redondo, gordo (mais à Vaudésir).

 À noroeste das colinas dos GC, Bougros, tem em suas terras férteis grande sensibilidade às geadas e a sua enorme produtividade (imaginem quase 100 hectolitros por hectares?).

Grenouilles é a menor dos GC (menos de 10 ha), situa-se na parte mais baixa das colinas. Como Bougros, está próximo às margens do rio Serein, portanto, corre mais risco de geadas. Entretanto, daqui saem chardonnays de textura macia, delicados.

chablis_carte_grand_cru

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s