Os Crus de Beaujolais

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Apesar de o Beaujolais Nouveau ser o mais conhecido, os verdadeiros Beaujolais são Villages ou Crus. Infelizmente, o preconceito e o desconhecimento levam o enófilo a dizer que, naquela região, não se fazem vinhos capazes de trazer momentos raros de prazer. A presença de um microclima distinto e o caráter e identidade que cada viticultor imprime fazem de cada Cru, um caso especial. A seguir falamos de cada um deles.

Brouilly é o mais extenso de todos os crus de Beaujolais (1,2 mil hectares), apresentando solo granítico e aluvial. De um modo geral, seus vinhos se mostram de cor rubi frutada, potentes, bem-estruturados e prontos para serem degustados com dois a três anos de idade.

Côte de Brouilly, com suas pedras azuis em 290 hectares, demonstra o quanto um vinho dessa região pode evoluir bem com a guarda, mostrando fineza e elegância, com um estilo distinto. Nas boas safras, pode ser conservado por cinco anos ou mais.

Chénas, vinho favorito de Louis XVIII, com seus aromas florais muito evidentes e um toque de especiarias. Com o envelhecimento é capaz de encantar não só a realeza, mas a nós todos, pobres mortais. Excelente vinho de guarda, mantém sua elegância através dos anos. Um dos mais raros Beaujolais Crus, conta com o prestígio de estar próximo do mais famoso deles, que é o Moulin à Vent.

Chiroubles, em geral, é associada a vinhos mais macios, os mais femininos de todos. Deve ser consumido novo, porém alguns exemplares, quando provenientes de vinhedos de altitude (são os mais altos dos Beaujolais Crus), tornam-se aptos à guarda. São 350 hectares que produzem um dos mais singulares vinhos de Beaujolais.

Fleurie, com seus 800 hectares de areia granítica, tem a particularidade de produzir vinhos que podem ser considerados intermediários entre os Crus, que devem ser tomados jovens, e aqueles que demonstram envelhecimento. Apresenta 13 terroirs diferentes. Alguns são capazes de seduzir pelos sabores aveludados e aromas de flores e frutas. Competem, no lado mais feminino dos vinhos, com os Chiroubles.

Juliénas (580 hectares) foi o ponto de partida do Beujolais na época romana. Os seus vinhos com aromas de pera e frutas vermelhas ganham muito quando guardados na garrafa por cinco a oito anos, nas boas safras.

Morgon, 1,1 mil hectares de solo xistoso e granito quebrado, produz vinhos fáceis de beber quando jovens, com suavidade característica. Alguns bons exemplares, porém, podem evoluir, e bem, com seis a oito anos de guarda.

Moulin à Vent, este príncipe de Beaujolais, com seus 650 hectares de solo granítico rico em manganês, é um excelente vinho de guarda. Quando jovem, mostra notas florais (violeta) e de frutas, envolvido por aromas de trufas, almíscar e de caça. Alguns exemplares podem adquirir reputação entre os melhores vinhos tintos da Franca.

Régnié (650 hectares), o último a entrar no time dos Crus (1988), é um vinho muito aromático. Pode ser degustado no ano seguinte à colheita e conserva seu potencial aromático por de três a cinco anos.

Saint Amour (280 hectares), o mais setentrional de todos, pode ser degustado até 12 ou 15 anos após a colheita, mas a maioria está pronta para ser tomada no ano de fabricação ou nos próximos dois ou três. Podemos defini-lo como redondo e macio.

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Acabe com o seu preconceito e brinde a vida com um Beaujolais jovem ou envelhecido com cinco ou 10 anos. Santé!!!

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