Namoro é saúde

Hoje, cada vez mais, a medicina considera o ser humano em sua globalidade. Tanto os aspectos relativos à hereditariedade genética quanto os relativos ao modo de vida, uso do corpo, hábitos alimentares, doenças e acidentes que acometeram uma pessoa fazem parte de seu histórico orgânico e determinam as suas condições gerais de saúde física. Suas características psicológicas também interferem diariamente nesse arranjo e, assim, corpo e mente se compõem, formando um todo que determina a saúde física e emocional do indivíduo, ou seja, seu estado geral de saúde.

Nessa composição, a sexualidade envolve afeto, comunicação, carinho e erotismo. Assim, sexualidade se reflete na qualidade de vida das pessoas, que é a grande meta da medicina contemporânea. A própria OMS, Organização Mundial de Saúde, coloca a sexualidade saudável como um dos indicadores de qualidade de vida de uma população.

Embora milênios de mitos, tabus e preconceitos tenham definido a sexualidade que temos hoje, podemos assegurar que homens e mulheres sabem da importância que a sexualidade ocupa em suas vidas, mesmo que seja pelo que carregam para exercer sua sexualidade plena ou privar-se dela.

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Investir no relacionamento

Num mundo tão pragmático e imediatista como o que vivemos, é comum que as pessoas busquem soluções rápidas e paliativas. Casamentos e relacionamentos estáveis, muitas vezes têm sido rompidos nos primeiros conflitos por parecer que a única solução era procurar outro relacionamento, com parceiros diferentes, mais estimulantes ou, quem sabe, mais compreensivos. Pior ainda: muitos casais desistem de buscar a melhora da atividade sexual, inibindo seu desejo e prazer e o de seu parceiro ou parceira.

Grande parte dos problemas da sexualidade se apresenta fisicamente, funcionalmente, mas provém dos relacionamentos frustrantes, da afetividade malcuidada, da falta de compreensão entre cônjuges e do baixo ou nulo investimento do casal no namoro. Portanto, investir no relacionamento e no namoro é a grande descoberta para a retomada da sexualidade plena e é também fundamental para a eficácia dos tratamentos e medicamentos.

O namoro é milagroso para a sexualidade e, além de tudo, faz bem à saúde!

Pais que namoram

A grande queixa dos casais, sobretudo após a chegada dos filhos, é que não há mais o encantamento do tempo de namoro. O amor adulto é um processo tão poderoso que é capaz de influenciar de maneira importante a psicologia individual, da relação e dos que estão próximos a aprenderem com ela. Podemos inclusive dizer que pais que namoram têm filhos que aprendem a sexualidade com naturalidade e felicidade. Namoro depois do casamento é sinal de boa sexualidade. Existe uma relação entre amor adulto e saúde sexual.

Em artigo* publicado em uma das mais importantes revistas de sexologia sobre o amor (On Love), o autor afirma que o ideal de amor de uma pessoa se torna uma experiência real, inevitavelmente, com o investimento num relacionamento prolongado. Fornece 16 sugestões para preservar a saúde sexual nos relacionamentos prolongados, ou seja, como fazer com que os pais continuem a namorar. Dentre elas destaquei estas cinco:

  • Desenvolva sua paciência em realmente escutar p (a) seu (sua) parceiro (a) falar.
  • Esclareça o (a) seu (sua) parceiro (a) sobre o que você gosta de fazer sem que tenha que exigir qualquer coisa.
  • Ame seu corpo e seus prazeres. Pare de considerar tanto as imperfeições de seu corpo.
  • Acredite que a integridade, a honestidade e o respeito geram amor, amor gera sexo bom e sexo bom gera amor. É um ciclo.
  • Diga o quanto você valoriza amar e ter sexo.

Fazendo uma ligação provável entre paixão e amor com substâncias neurológicas chamadas neurotransmissores. Substâncias que nosso corpo produz, como endorfinas, serotonina, dopamina, prolactina e testosterona. Constituem hormônios ou neuro-hormônios que têm um papel muito importante no que diz respeito à atração, ao afeto, à libido e outros comportamentos humanos.

É lógico que na espécie humana muitos dos comportamentos sexuais, afetivos e amorosos têm uma ligação importante com a cultura em que se vive, a história pessoal de cada um, a qualidade de vida e a qualidade do relacionamento passa pelo valor que se dá a esses aspectos e a um projeto pessoal de amor e relacionamento. Conviver com um casal que se ama e namora efetivamente, influencia significativamente a percepção do que é o amor e a sexualidade.

Pais que namoram expressam o amor e a sexualidade não apenas verbalmente, mas também com atitudes, compreensão, aceitação respeito à outra pessoa, interesse em seu desenvolvimento e, sobretudo, através do contato caloroso manifestado por gestos, carícias, abraços e beijos.

Há algumas décadas, questões ligadas ao sexo estavam guardadas em um baú. Hoje, para viver o amor e a sexualidade plenamente basta que as pessoas estejam dispostas a deixar o preconceito de lado, a investir no relacionamento e a procurar ajuda quando for necessário.

Felizmente, podemos ensinar aos nossos filhos o que é amor e sexualidade através de nosso exemplo, que é a melhor maneira de eles aprenderem tudo sobre sexo seguro e prazeroso.

*Fonte: Levine, SB. On Love. J Sex Marital Ther. 1995; 21:183-191 

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