CURSO COMPACTO SOBRE VINHO

Vinho na Idade Moderna

AULA 3:  HISTÓRIA DO VINHO (parte final)

O vinho na Idade Moderna e Contemporânea

 Durante o século XVII, se desenvolveu a garrafa e o corcho volta a ter um papel importante, esquecido nos tempos romanos, na guarda do vinho.

Muitos problemas técnicos permeavam ainda a produção do vinho nessa época. Um deles diz respeito à elaboração do champanhe – a fermentação secundária que acontecia no interior da garrafa, depois de engarrafada, levava à explosão, e foi o monge beneditino Dom Perignon (1638-1715) que solucionou isso: introduziu o corche (aprendido com os espanhóis) e uma garrafa mais grossa. Alguns textos ainda insistem em afirmar que foi Dom Perignon o criador do champanhe, o que não é verdade. Ajudou sim, e muito, no seu desenvolvimento e proferiu uma frase que ficou para a história: “Vennez vite mes fréres, je bois des étoiles!” (“Venham rápido irmãos, estou bebendo estrelas!”).

A busca de vinhos de mais qualidade foi necessária à medida que as cidades iam crescendo e a burguesia ficava mais rica. Bordeaux, com raízes fortes na produção de qualidade, corre na frente e implanta no século XVIII a definição de seu sistema de Grand Cru (1855), famoso até hoje. Nesta época, já estão bem definidos os grandes vinhos e os de granel, sendo os primeiros destinados às melhores mesas e os segundos para serem bebidos a qualquer momento e em qualquer lugar.

Os portugueses e húngaros “brigam” pelo pioneirismo em ter uma região demarcada por lei com Bordeaux. Parece que o primeiro sistema de classificação de vinhas no mundo foi introduzido em Tokaj-Hegyalja, no Império dos Habsburgos – hoje na Hungria -, em 1730, vindo pouco depois, à Região Demarcada do Douro (Portugal), uma iniciativa do Marquês de Pombal, em 1756. Ambas objetivavam proteger e promover seus famosos vinhos, Tokaji e Porto, respectivamente.

Na verdade, existem referências sobre denominação de origem (DO) desde sempre, pois, na Bíblia, são mencionados o “vinho de Helbron”, o “vinho de Jezreel” e outros, e na Antiguidade e Idade Média, há muitas citações de “DO”, apesar de não sancionadas por lei.

A contribuição de Pasteur, em 1857, propiciando o entendimento científico da fermentação alcoólica, assim como do envelhecimento do vinho e suas enfermidades, ascendeu uma luz para se pensar na enologia como uma ciência. Já dizia Goethe: “A história da ciência é esta própria ciência”.

Na história do vinho, nem tudo são flores como em qualquer outra. Apesar de o mundo ter passado, nas Idades anteriores, por guerras, invasões e domínios de regiões vinícolas por povos e culturas avessas ao álcool, como os muçulmanos, a evolução do vinho continuou. A Idade Moderna e Contemporânea não foi diferente, e o vinho teve também de enfrentar significativos contratempos, tais como as duas grandes guerras (1914-1918; 1939-1945); a praga da Filoxera (que assolou por décadas os vinhedos da Europa, na segunda metade do século XIX); a Lei Seca; a Crise de 1929 e, mais recentemente, os “terremotos” econômicos.

Quase encerrando com a história do vinho no Velho Mundo, a Filoxera chega à Europa, em meados de 1860, via EUA, quando espécies nativas de uva americana chegam para fins de pesquisa. É interessante relatar que a solução veio da própria América, quando se constatou que enxertando a vinha nobre, a Vitis viníferano pé de uma vinha americana (não nobre) se conseguia uma vinha resistente ao inseto causador da praga, o Phylloxera vastatrix. Uma coisa era fundamental e aconteceu: o porta-enxerto mantinha as propriedades originais da Vitis vinífera. Esse processo é feito até hoje na viticultura, distinguindo do que se denomina de “pé franco”, que seria a vinha original, não enxertada.

Tanto no campo (viticultura) como na adega (vinicultura), os avanços na tecnologia foram enormes na segunda metade do século passado. Nunca antes na história se produziu tanto vinho de tão boa qualidade. Acho que já ouvi isso de alguém… Ah, deixe isso pra lá.

A grande maioria dos vinhos do mundo é feito com uvas de uma espécie européia, a Vitis vinifera. Conhecida por sua capacidade de se adaptar e de produzir vinhos de qualidade, vinhas Vinifera logo viajaram para o Novo Mundo com os colonizadores italianos, franceses, espanhóis e alemães. Além disso, foi muito importante a emigração de muitos viticultores e enólogos europeus que, com sua experiência e sabedoria adquirida através de gerações, propiciaram aos EUA, África do Sul, Austrália, Novos Zelândia e outros, a produção de vinhos de muito boa qualidade. O que talvez não se imaginasse é que, em tão pouco tempo, em alguns países do Novo Mundo a vitivinicultura crescesse tanto, a ponto de conquistarem e competirem com vinhos europeus. Mercados tradicionais, como o da Inglaterra, começaram a se enamorar cada vez mais pelos vinhos australianos, assim como os americanos, porém parece que ultimamente se veem seduzidos pelos vinhos argentinos.

No Brasil, o início do cultivo da uva data de 1532, na capitania de São Vicente, através de Martim Afonso de Souza, trazendo as primeiras mudas da Europa. Posteriormente a história do vinho no Brasil deve muito aos imigrantes italianos, com a chegada deles em 1875, principalmente na Serra Gaúcha.

Da Antiguidade até os dias atuais foi uma longa viagem, porém o vinho desde o mais remoto tempo sempre produziu certa magia nas pessoas.

Ufa! Acabamos nosso passeio! Que tal fazer sua própria “história” do vinho, fazendo uma viagem enoturística? Na falta de companhia, é só nos convidar.

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