Poesias de Emily Dickinson

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Morre a palavra

Ao ser falada,

Já se disse.

Mas eu diria

Que nesse dia

Ela nasce.

 ǂ

Os tempos mais felizes se dissipam

Sem um traço deixar –

É a angústia que pesa ou não tem Plumas

Para poder voar –

   ǂ

Bons Ganhos – têm de ser medidos pelas Perdas

Para que sejam – Ganhos –

 ǂ

Eu te dou a Prova

De que sempre amei –

Até amar – eu quase

Não vivi –

Também te demonstro

Que sempre amarei –

O amor é vida – e a vida

É Imortal –

Meu Bem – se duvidas –

Então não terei

Nada para mostrar-te

Só a Paixão –

 ǂ

Há dois “Eu posso” e um “Eu preciso”

E depois um “Eu devo”.

Tão infinito o compromisso

Que há num “Eu quero”!

 ǂ

As palavras na boca dos felizes

São músicas singelas

Mas as sentidas em silêncio

São belas –

ǂ

Se eu puder evitar que um Coração padeça

Não viverei em vão

Se eu fizer que na Vida alguém esqueça

A Dor ou a Aflição

Ou se ajudar um Pássaro caído

A retornar ao Ninho

Não viverei em vão.

 ǂ

Antes que ele chegue à gente vem

 e pesa o tempo

  (é muito é quase nada)

Depois que ele se vai

o vazio é o peso

  que fica

 ǂ

Ver o céu de verão é Poesia

Que ninguém vai prender

   num livro

Os bons poemas

  fogem

ǂ

Para fazer um prado toma-se a abelha e um trevo

uma abelha e o trevo

(abelha e trevo

e devaneio)

O devaneio basta

se houver poucas

abelhas

Fonte: LivrosA BRANCA VOZ DA SOLIDÃO e ALGUNS POEMAS de Emily Dickinson / Ed. Iluminuras

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