Liberdade Sexual da Atualidade

Matéria do site Doutíssima. Entrevista feita com o Dr. Gerson Lopes

casal-rindo

– Temos vivido uma revolução sexual?

 Em termos históricos há duas revoluções sexuais bem definidas, a RS Feminina com o advento da “pílula” contraceptiva na década de 60, que permitiu a mulher desvincular prazer da reprodução. E uma RS Masculina com o surgimento de outra “pílula” do prazer, que seria o Viagra no final da década de 90 (1998). Estaríamos agora vivendo uma RS do Casal? Ou se faz necessário antes a descoberta da “pílula” do prazer feminino? Infelizmente o que permeia a sexualidade na contemporaneidade é o sexo – desempenho  e neste caso gostaria que uma RS viesse a desmitificar isso. Porém sei, como dizia Einstein: “É mais fácil quebrar um átomo, que quebrar um mito.”

– O que tem contribuído para que as pessoas falem mais de sexo e se assumam sexualmente?

Ainda percebo que as pessoas falam mais que na intimidade toleram. Sem dúvida as pessoas tem assumido mais a sua orientação sexual, no caso da homossexualidade, por exemplo. Porém há muita gente ainda “escondida no armário”, particularmente nos grotões rurais. Em função da família ou do social, optam por serem infelizes e acabam gerando infelicidade nas parcerias quando tentam esconder sua homossexualidade.

– As pessoas estão “mais à vontade” para falar sobre o assunto ou sexo ainda é um tabu?

Falar sobre sexo é o que mais se vê hoje. Sexo não é mais tabu. Porém o discurso ainda está muito distante da prática. Parece que na intimidade do casal há ainda uma imagem sacrossanta, além da desigualdade de gênero que outrora era muito forte. Talvez questões religiosas e machismo ainda muito presentes dificultam o fluir natural da vida sexual do casal. É o que dizia Mario Quintana: “O passado não reconhece o seu lugar, está sempre no presente.”

– Essa abertura sexual que temos visto na mídia e na internet tem sido levada para a cama?

Sim, devagar, quase a passos de caracol as  mudanças têm ocorrido. Em um primeiro momento a TV foi o veículo mais importante e hoje com certeza é a internet.

 – Por que tanta gente tem falado de sexo, mas paradoxalmente, outras tantas tem queixado da falta de realização sexual?

Falar e o conhecer sobre o sexo é importante, porém a realização sexual perpassa estes aspectos. Por outro lado, sexualidade não é qualidade de pessoa e sim de interação entre pessoas.

– A vida moderna e competitiva atrapalha a vida sexual?

Sim. No mundo atual a exigência de performance acaba refletindo na vida sexual, e a competitividade acaba por atrapalhar mais ainda. Sexualidade é brincadeira, é prazer, é alegria, não é apenas ereção, coito, gozo. Sexualidade é qualidade, não é quantidade. Quem faz sexo e erroneamente diz que faz amor foca apenas no resultado, ao passo que o fazer amor é colocar o foco no processo, na entrega, na relação. A sociedade de hoje infelizmente é exageradamente focada em resultados e não em processos. A travessia e a “viagem” devem ser vistas tão ou mais importantes do que o local aonde se chega.

– As mulheres têm se preocupado com o corpo como nunca, mas muitas reclamam que não sabem ao menos o que é um orgasmo. Existe uma saída para esse dilema?

Infelizmente a preocupação de muitas mulheres é com a estética do corpo e não com seu erotismo. Não sabem que todo corpo é erógeno e é fundamental que ela o conheça, e aí poder dizer ao seu parceiro as áreas de sua preferência (não estéticas, e sim, eróticas). Conhecer pode facilitar e muito o prazer.

– Quais são as principais queixas que chegam ao seu consultório? 

Entre os homens jovens é a Ejaculação Precoce e homens maduros a Disfunção Erétil. Entre as mulheres jovens a Disfunção do Orgasmo e mulheres maduras a Disfunção do Desejo Sexual (Desejo Sexual Hipoativo).

– Como elas são encaminhadas?

Pelo fato de ter publicado muitos livros na área médica e psicológica, o maior encaminhamento vem destes profissionais, particularmente, Urologistas e Ginecologistas. Cada vez mais recebo clientes encaminhados por ex clientes mostrando que há uma abertura maior de modo que quem já buscou ajuda, não tem vergonha de falar ao outro.

– O que uma pessoa que está casada há muitos anos e descobre que sente atração por alguém do mesmo sexo deve fazer para conseguir assumir a sua homossexualidade?

É difícil dar conselho a alguém, ainda mais nesta questão. Caso isso esteja trazendo tanto sofrimento, talvez ele deva procurar uma terapia quem em última análise, deve ajudar as pessoas “a escolherem o que perder, para não perderem o que não escolheu”. Ninguém escolhe ser infeliz, porém a infelicidade não é responsabilidade do outro.

– Alguns especialistas afirmam que somos todos bissexuais. Isso procede?

Acredito que não. Sabemos sim, que entre homossexuais e heterossexuais exclusivos há um número grande de pessoas que mesmo sendo homo têm algum desejo hetero e vice versa. A famosa escala de Alfred Kinsey elaborada em 1948 e válida até hoje, mostra sete níveis de orientação sexual além dos exclusivos homo e exclusivos heterossexuais. Bissexual não é aquela pessoa hetero que por questão econômica, social ou outra qualquer,  tem uma relação com pessoa do mesmo sexo. Ou ela é homo e por questões iguais à anterior, tem uma relação sexual com alguém de sexo diferente. Nestes casos, podem se falar em conduta bissexual, ao passo que, bissexualidade traduziria ao meu ver em desejos iguais por ambos os sexos.

sexo

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s