Há uma nova revolução sexual?

Matéria do site Vivo mais Saudável. Entrevista feita com o Dr. Gerson Lopes.

Será que toda a modernidade e liberdade sexual que temos visto, principalmente na internet, têm refletido no comportamento entre as quatro paredes?

Orgasmo

A era da “insatisfação” sexual

VMS: Temos vivido uma revolução sexual?

Gerson Lopes: Em termos históricos há duas revoluções sexuais bem definidas. A “Revolução Sexual Feminina” com o advento da pílula contraceptiva na década de 60, que permitiu a mulher desvincular prazer da reprodução. E uma “Revolução Sexual Masculina” com o surgimento de outra “pílula” do prazer, que seria o Viagra, no final da década de 1990.

Estaríamos agora vivendo uma “Revolução Sexual do Casal”? Ou se faz necessário antes a descoberta da “pílula” do prazer feminino? Infelizmente o que permeia a sexualidade na contemporaneidade é o sexo, o desempenho, e neste caso gostaria que uma revolução sexual viesse a desmitificar isso. Porém sei, como dizia Einstein: “É mais fácil quebrar um átomo, que quebrar um mito.”

VMS: O que tem contribuído para que as pessoas falem mais sobre sexo e se assumam sexualmente?

Gerson Lopes: Ainda percebo que muita gente tem falado mais que na intimidade toleram. Sem dúvida as pessoas têm assumido mais a sua orientação sexual, no caso da homossexualidade, por exemplo. Porém, há muita gente ainda “escondida no armário”, particularmente nos grotões rurais. Em função da família ou dos “conceitos sociais”, optam por serem infelizes e acabam gerando infelicidade nos parceiros quando tentam esconder sua homossexualidade.

VMS: As pessoas estão “mais à vontade” para falar sobre o assunto ou sexo ainda é um tabu?

Gerson Lopes: Falar sobre sexo é o que mais se vê hoje. Sexo não é mais tabu. Porém o discurso ainda está muito distante da prática. Parece que na intimidade do casal guarda ainda uma imagem sacrossanta, além da desigualdade de gênero que outrora era muito forte. Talvez questões religiosas e machismo ainda muito presentes dificultam o fluir natural da vida sexual do casal.

VMS: Essa abertura sexual exibida na mídia e na internet tem sido levada para a cama?                                               
Gerson Lopes: Sim, devagar, as mudanças têm acontecido quase a passos de caracol. Em um primeiro momento a TV foi o veículo mais importante e hoje com certeza é a internet.

VMS: Por que tanta gente tem falado de sexo, mas paradoxalmente, outras tantas têm se queixado da falta de realização sexual?                                                                                                                                                                    
Gerson Lopes: Falar e o conhecer sobre o sexo é importante, porém a realização sexual perpassa estes aspectos. Por outro lado, sexualidade não é qualidade de pessoa e sim de interação entre pessoas.

VMS: A vida moderna e competitiva atrapalha a vida sexual?                                                                                              
Gerson Lopes: Sim. No mundo atual a exigência de performance tem refletido na vida sexual, e a competitividade acaba por atrapalhar mais ainda. Sexualidade é brincadeira, é prazer, é alegria, não é apenas ereção, coito, gozo. Sexualidade é qualidade, não é quantidade. Quem faz sexo e erroneamente diz que faz amor foca apenas no resultado, ao passo que o fazer amor é colocar o foco no processo, na entrega, na relação. A sociedade de hoje infelizmente é exageradamente focada em resultados e não em processos. A travessia e a “viagem” devem ser vistas tão ou mais importantes do que o local aonde se chega.

VMS: As mulheres têm se preocupado com o corpo como nunca, mas muitas reclamam que não sabem ao menos o que é um orgasmo. Existe uma saída para esse dilema?                                                                                                  
Gerson Lopes: Infelizmente a preocupação de muitas mulheres é com a estética do corpo e não com seu erotismo. Não sabem que todo corpo é erógeno e é fundamental que ela o conheça, para poder dizer ao seu parceiro as áreas de sua preferência (não estéticas, e sim, eróticas). Conhecer pode facilitar e muito o prazer.

VMS: Quais são as principais queixas que chegam ao seu consultório?

Gerson Lopes:Entre os homens jovens é a ejaculação precoce, já os mais maduros têm problemas de disfunção erétil. Entre as mulheres jovens, a disfunção do orgasmo. O que assombra muitas mulheres maduras é a disfunção do desejo sexual.

VMS: Como esses pacientes chegam até você?

Gerson Lopes: Pelo fato de ter publicado muitos livros na área médica e psicológica, o maior encaminhamento vem de profissionais, particularmente, urologistas e ginecologistas. Cada vez mais recebo clientes encaminhados por ex-clientes, mostrando que há uma abertura maior de modo que quem já buscou ajuda, não tem vergonha de falar ao outro.

VMS: Alguns especialistas afirmam que somos todos bissexuais. Isso procede?

Gerson Lopes: Acredito que não. Sabemos sim, que entre homossexuais e heterossexuais exclusivos há um número grande de pessoas que mesmo sendo homo têm algum desejo hetero e vice-versa. A famosa escala de Alfred Kinsey, elaborada em 1948, e válida até hoje. Ela mostra sete níveis de orientação sexual além dos exclusivos homo e exclusivos heterossexuais. Bissexual não é aquela pessoa hetero que por questão econômica, social ou outra qualquer, tem uma relação com pessoa do mesmo sexo. Ou ela é homo e por questões iguais à anterior, tem uma relação sexual com alguém de sexo diferente. Nestes casos, podem se falar em conduta bissexual, ao passo que, bissexualidade traduziria a meu ver em desejos iguais por ambos os sexos.

fonte:

http://vivomaissaudavel.com.br/bem-estar/amor-e-sexo/revolucao-sexual-estamos-realmente-satisfeitos-com-as-nossas-escolhas/

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