A uva branca emblemática argentina

Como a Malbec em tintos, a uva Torrontés (foto) é o cartão de identidade enológica da Argentina em vinhos brancos. A Torrontés Riojana parece ser o resultado de um cruzamento natural das uvas Moscato de Alexandria, com a Criolla Chica, variedade simples e de pouca qualidade. Por isso a Torrontés deve ser considerada autóctone deste país, não se provando nenhuma semelhança com a Torrontés espanhola, presente em alguns vinhos brancos vulgares da Espanha. A Torrontés é a variedade branca mais difundida na Argentina (8155 hectares), perfazendo quase o dobro da segunda, que é a onipresente Chardonnay.

Esta uva não chegou à Argentina através dos imigrantes, mas sim pelos conquistadores, nas mãos do Capitão Diego de Garzón, em 1611, que a trouxe da Espanha. Como uva de segunda, existente nas margens do Oja (rio espanhol), a Torrontés, com a mudança e o tempo, transformou-se, ganhando uma nova identidade, graças às condições de solo e clima do noroeste argentino. É verdadeiro, entretanto, que neste país se produziu (e ainda produz) vinhos Torrontés vergonhosos. Os Vales Calchaquiés (Salta), Famatina, ou Chilecito (La Rioja), Tulum (San Juan) ou Maipú/Luján de Cuyo (Mendoza), são os sítios onde mais se cultiva a Torrontés.

torrontes_sanjuanino

Características dos vinhos Torrontés

Cada vez mais percebemos na Argentina excelentes vinhos Torrontés, como o Las Perdices 2014 (foto), em que mostram adequada tipicidade, elaboração cuidadosa, frescor e elegância. Geralmente são produzidos para consumo rápido (2 a 3 anos). Aromas e sensações gustativas com notas florais, herbáceas e minerais fazem destes brancos uma viagem refrescante. Quando bem trabalhada esta uva origina vinhos que recordam rosas, mel, casca de laranja, frutas tropicais bem maduras e uvas moscatéis (pelo seu parentesco). Porém, não se pode confundir nariz e boca. Geralmente originam vinhos muito secos, com uma acidez moderada, corpo médio e costumam ser alcoólicos.

“Aos olhos aparenta ser ouro. Perfumada de flores, ervas verdes, rosa e cera de abelha, na boca cresce com sua paixão latina” é o que nos diz os editores do livro – Bodegas & Vinos, 2003 (Guias Caviar Bleu, Edições Andina Sur). O que não pode deixar de se destacar em seus vinhos é o fato da Torrontés propiciar um perfil aromático ligeiramente rústico e voluptuoso, ou ser “intrigantemente aromáticos”, como diz a famosa crítica inglesa Jancis Robinson.

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Harmonização Torrontés e Comida

Aqueles que afirmam que vinhos à base de Torrontés não servem para combinar com pratos não dizem verdade. É possível que a grande maioria seja fácil de beber, idealmente junto com amigos para “jogar conversa fora”, a beira de uma piscina ou praia, ou em volta de uma mesa de bar, porém muitos acompanham, e bem, as gostosas empanadas argentinas, ou pratos imbuídos do tal conceito de fusão, pratos “thai”, sushi  e sashimi, assim como queijo de cabra fresco.

Até semana que vem!

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