O “País da Bota”: Vinhos do Sul

O Sul da Itália compõem as quatro regiões da península sul- Campânia, Apúlia (Puglia em italiano), Basilicata e Calábria, além das ilhas da Sicília e Sardenha. Trata-se de uma região com um passado glorioso e um patrimônio ímpar de cepas nativas ou autóctones. O Sul da Itália vem passando por uma revolução vitícola muito positiva, em que a valorização da qualidade e não da quantidade, começa a ser a principal preocupação das cooperativas (maioria, na região) e dos produtores. Não há como negar, entretanto, que Apúlia e Sicília, assim como as demais, ainda produzem, e muito, vinhos de mesa básicos e baratos. Nos últimos anos, investimentos em tecnologia de ponta, e a vinda de grandes enólogos/ produtores de outras regiões, fizeram com que essa parte da Itália, seja cada vez mais respeitada no mundo do vinho.

A Campânia tem seu nome normalmente lembrado, mais pela cidade de Nápoles, Costa Amalfitana e Capri do que pelos seus vinhos. Isso nem sempre foi assim, pois, na Roma Antiga, o vinho predileto era o branco Falerno, produzido nas encostas do Monte Massico, na Campânia. Existe hoje, inclusive, uma DOC Falerno del Massico. O seu patrimônio de uvas nativas é inacreditável, algumas de origem gregas como a Fiano e a Greco di Tufo (brancas), e a Agliânico e Piedirosso (tintas). O seu vinho mais famoso é o tinto Taurasi, único vinho das quatro regiões da península sul a ter Denominazione di Origine Controllata e Garantita (DOCG). Feito à base da Aglianico, este vinho mostra uma grande afeição ao envelhecimento, apresentando cor quase negra, aromas de chocolate amargo e alcatrão. Mastroberardino é o seu produtor mais conhecido, e sua família tem tradição na produção de vinho nesta região desde o século XVIII. Ele, assim como outros, produz também os brancos Fiano di Avellino e o Greco di Tuffo, ambos mostrando um toque de amêndoa amargo.

Basilicata deve ser lembrada pela tinta Aglianico, plantada no solo vulcânico do monte Vulture, recebendo, por isso, o nome de Aglianico del Vulture. Vale a pena degustar esse vinho quando produzido pela casa Fratelli d’Angelo.

A renovação começou na Apúlia, com o Salice Salentino e Copertino. Tintos suculentos, têm como base a Negroamaro – como o próprio nome indica uva “negra e amarga”, às vezes mesclada a Malvasia Nera. Ao sul de Abruzzi, norte de Apúlia, cultiva-se a cepa Montepulciano d’Abruzzo, assim como no sul cultiva-se a Primitivo (a mesma Zinfandel de Califórnia). Uva di Tróia é outra casta tinta que dá vinhos robustos, como o Castel del Monte.

A Calábria é referência por um vinho notável de sobremesa, do ponto mais ao sul do país, a cidade de Bianco, feito com a uva branca Greco di Bianco. O tinto conhecido é o Ciró DOC, (feito principalmente com a uva nativa Gaglioppo).

A Sicília representa, talvez, a dianteira desse processo revolucionário em prol da qualidade. Seu vinho mais famoso, o fortificado Marsala, pode não ser tão famoso como antes, porém, alguns produtores como a casa De Bartoli, fazem esta mesma revolução nesse vinho. Belos produtos, capazes de fazer frente a bons vinhos do Porto e da Madeira. Feitos à base das brancas Catarrato, Grillo, Damaschino e Inzolia, o Marsala, produzido nos arredores da cidade do mesmo nome, pode ser dividido em várias categorias. Entretanto, a Sicília enológica é muito mais do que isso, tendo outros dois grandes vinhos de sobremesa – o Moscato di Pantelleria e o Malvasia della Lipari. Este último tem uma produção mínima, na minúscula ilha vulcânica de Lipari, e seu produtor mais notável é Carlos Hauner. Na ilha vulcânica de Pantelleria, é feito o Moscato de mesmo nome, com a uva Zibibbo (ou Muscat d’Alexandria), que é colocada sobre tapetes para secar ao sol antes da fermentação. Deixando o melhor para o fim, a Sicília se firma no competitivo mundo do vinho com seus tintos temperados, frutados, às vezes condimentados, com uma cor tão negra, que às vezes dá medo de sua escuridão, à base de Nero d’Avola (ou Calabrese). Catarrato (a mais produzida na Itália, depois da Sangiovese), Inzolia, Trebbiano são as brancas utilizadas na feitura de alguns vinhos brancos secos que podem ser interessantes.

A Sardenha, com forte herança espanhola visível em suas uvas- Carignano (ou Cariñena), e Cannonnau (Garnacha na Espanha), mesclada ou não com a Sangiovese, e outras uvas internacionais, pode, às vezes, surpreender. A uva branca Vermentino, também nativa, pode produzir interessantes vinhos leves com toques de ervas ao nariz. Pode-se também encontrar bons vinhos de sobremesa, seja nas DOC Vernaccia di Oristano, Mavasia di Bosa e Nasco di Cagliari.

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