Infidelidade: o que leva a isso e como enfrentar quando acontece no casamento?

É comum inúmeras pessoas afirmarem que são infiéis, tanto homens quanto mulheres, ou que encarariam numa boa caso fossem traídas. Será que as coisas são assim mesmo tão fáceis de serem assimiladas, quando se trata de outra pessoa interferindo no relacionamento a dois? 

Temos nos deparado com frequentes situações em que as pessoas, mesmo vivendo um relacionamento a dois, compromissado e assumido, afirmam ter outro relacionamento paralelo, sem que isso acarrete problemas ao seu relacionamento estável e fixo. Entretanto, não é o que constatamos em nossos consultórios.

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Antes de falar sobre as consequências que esses indivíduos sofrem, é importante analisarmos o que ou quais circunstâncias levam à infidelidade, pois não se pode generalizar e achar que todos fazem por imaturidade ou irresponsabilidade; ou que o fazem por uma visão e postura machista ou liberal; ou ainda, por pura sem-vergonhice, afinal, pode acontecer por qualquer uma dessas situações, todas elas ou nenhuma delas. 

Existem situações em que o relacionamento passa por maus momentos, de conflitos e desentendimentos, levando a um desgaste das duas partes, em que certamente a comunicação e a intimidade entre o par ficam difíceis ou até mesmo comprometidas. Diante das dificuldades na resolução da situação e a insuportável sensação de rejeição ou desamor, aparecem brechas para oportunidades facilmente incidentes no dia a dia de qualquer pessoa. Aquele colega de trabalho tão atencioso já não é só visto apenas como um colega, aquela amiga do peito pode passar a despertar outros interesses, aquele personal que treina todos na academia passa a ter outro tipo de atenção, ou seja, as oportunidades que sempre existiram deixam de ser situações corriqueiras para exercer outro tipo de papel. 

Muitas vezes, a dificuldade de enfrentar os conflitos ou problemas no relacionamento acabam sendo a porta de acesso para novas possibilidades de extravasar os sentimentos, a afetividade e o tesão; acaba surgindo como uma alternativa mais fácil para atender as próprias necessidades e expectativas. Sem que se resolva o verdadeiro foco do problema, aumentado ainda mais os conflitos e não ajudando em nada.

É assim que as pessoas chegam ao consultório: confusas, angustiadas e divididas em seus sentimentos, sem ter a menor ideia ou referência de qual caminho seguir, afinal, acabam por concluir que levar os dois ou mais relacionamentos é inviável, pois coloca seus sentimentos de forma incompatível com o que possa suportar.

As pessoas querem crer que, se fosse possível, levariam a situação eternamente, porém, concluem que mesmo quem se submete em ser a “outra” ou o “outro”, em algum momento, manifesta o desejo pela exclusividade, ou seja, de ter a perspectiva de ser o relacionamento único. Daí em diante as coisas desandam, pois a pressão e chantagem emocional passam a integrar o relacionamento que sempre foi muito permeado de intensidade afetiva e pouca preocupação ou conflitos. 

A própria situação acaba por revelar a incompatibilidade de se poder viver com os sentimentos divididos ou duplicados, e por mais que haja prazer, satisfação e alegria, elas também consomem o emocional e a energia vital. É sempre importante que se avalie o papel, os efeitos e as consequências de um relacionamento assim, para que isso não coloque em risco o próprio bem estar e a saúde afetiva do relacionamento.

Eduardo Yabusaki (psicólogo, terapeuta sexual e de casal, e colaborador do site).

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