O desejo sexual nas diferentes etapas da vida do homem

Na infância, ocorrem manifestações da sexualidade, portanto, não se pode falar de uma infância assexuada. Porém, a criança não tem consciência do desejo sexual, daí o perigo das mensagens ligadas ao sexo, vinculadas pela mídia a essa população. Mais maléfico ainda seria o abuso sexual. É bom frisar que jogos sexuais entre crianças de mesma faixa etária, até os 5 anos, são normais e fazem parte de seu desenvolvimento psicosexual.

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Na adolescência, é difícil existir uma expressão plena da sexualidade, mas é assim mesmo: essa é uma fase de aprendizado. O importante é diminuir a ansiedade dos adolescentes e apresentar-lhes uma expectativa real de que o sexo fica melhor com o tempo, com a maturidade e com a aprendizagem. Nos rapazes, pode acontecer casos passageiros de perda de “tesão” (nome popular para o desejo sexual) devido às experiências frustrantes, mal elaboradas, como perda de ereção (“brochada”) ou rapidez ejaculatória. Normalmente, a perda de “tesão” é um disfarce para um “tesão” que fica com medo de se expressar. Na maioria das vezes, o rapaz não perde o interesse por sexo, ele evita uma relação sexual que teme não ser satisfatória.

O decorrer do tempo opera mudanças na sexualidade. A partir dos 40 anos, pode ocorrer diminuição do desejo, da atividade e da resposta sexual em ambos os sexos. Isso, necessariamente, não significa disfunção. Podem ser traduzidos, algumas vezes, em processos adaptativos do contexto pessoal e/ou relacional desta nova etapa da vida. Entretanto, essa não é a regra, pois o avançar da idade também – da mesma forma que pode diminuir a quantidade – pode incrementar a vida sexual através de uma melhora na qualidade.

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De uma forma geral, observamos a diminuição do interesse sexual com o avançar da idade. O desinteresse sexual pode estar desvinculado das alterações físicas e estar relacionado a modificações na forma de perceber e vivenciar a sexualidade. Problemas ligados à inibição do desejo sexual no homem eram muito pouco frequentes no consultório, porém, têm se tornado mais usuais. Pode-se questionar se existe uma relação entre queda de desejo e baixos níveis de testosterona circulante. É sabido que uma produção aumentada desse hormônio não aumenta o interesse sexual masculino. Por outro lado, existem doenças que provocam o aumento do hormônio prolactina no sangue e a insuficiência dos testículos, ocasionando possível perda do desejo sexual. Entretanto, esses casos são raros.

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Tem-se observado muitos homens, entre quarenta e sessenta anos, com queixa de inibição do desejo, fazendo parte de um quadro de depressão mascarada. O mais interessante é que o agente iniciador do problema é a instabilidade financeira e/ou profissional vivenciada pela pessoa, como desemprego e queda salarial. É a confirmação de que o sexo também é ecologia, isto é, está sujeito a variações do meio e pode ser destruído pelos homens de poder e pelas instituições. Feliz ou infelizmente, não é possível dicotomizar o homem e separar a gaveta sexual da gaveta do cotidiano. A terapia sexual para inibição de desejo se mostra difícil, na maioria dos casos, pois inúmeros fatores intervêm na etiologia do problema.

Concluindo, podemos dizer que, se os problemas forem de origem emocional, pode-se tentar resolver através do estímulo do diálogo do casal e da proposição do sexo descompromissado com o coito. Educação sexual, psicoterapia ou terapia sexual e aconselhamento constituem também armas efetivas quando as pessoas não resolvem por si sós. Se os problemas forem de origem orgânica, o acompanhamento pelo urologista/andrologista e pelo sexólogo garante a resolução da grande maioria dos casos.

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