Poesia: Um brinde

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Ergo a taça para um brinde

e me encanto com o brilho

deste vinho a cintilar …

I

Ergo a taça para um brinde

e me encanto com o brilho

deste vinho a cintilar …

Num segundo ele reflete

como bola de cristal

tempos idos… já vividos

muitos anos decorridos…

tantos séculos passados…

e vejo Noé, no início dos tempos

provando do vinho

das suas videiras…

Primeiro mortal a se embebedar!…

II

E noutro segundo

detenho-me então

no Egito e na China

mais de dois mil anos

bem antes de Cristo

o vinho a tomar…

E nas escrituras

vamos encontrar

a Melquisedec

já sacrificando

em vez de animais

o pão e o vinho…

III

Mas logo em seguida

me vem à lembrança

os tempos antigos

da Grécia e de Roma

com o vinho a correr

em grande abundância…

……………………………………

Na Grécia, Dionísio

dos mais importantes

entre os seus deuses

personificava

força que provinha

da mãe natureza

Especialmente

do vinho e da vinha…

E nos seus cortejos

iam as “Bacantes”,

as sacerdotisas

do culto do deus

que em transe tomadas

como embriagadas

iam desgrenhadas,

sensuais, delirantes…

Suas festas, as “Orgias”

celebravam a paixão

e entre seus participantes,

sátiros, pãs e centauros,

encontramos a Sileno,

que o Deus havia criado,

e só falava a verdade

quando estava embriagado…

……………………………………

Em Roma, ele era Baco

deus do vinho e da alegria

e as festas em sua honra

eram as grandes “Bacanais”…

Nelas, figuras centrais

os Sátiros e Bacantes

embriagados de vinho

e da presença do deus

promoviam tal orgia

em tão místico delírio

que, afinal, o seu culto

ficou sendo proibido…

Mas o vinho … ele resiste…

e seu cultivo persiste

em todo canto do mundo…

Não mais em loucas orgias

mas em uso moderado

o vinho, sem bacanal

é até medicinal…

IV

Mas o momento mais lindo

que há na história da vinha

pra todo o povo cristão

é aquele em que Jesus

consagrando pão e vinho

na sua última ceia

permaneceu para sempre

Hóstia Santa, nas igrejas…

E o vinho ficou presente

eternamente no mundo

para trazer alegria

aos corpos e nossas mentes

e seu fabrico espalhou-se

por todos os continentes…

V

Na Califórnia chegando

pelo século dezoito

vemos a vinicultura

na América se instalando…

E até aqui no Brasil,

no final do mesmo século

já se cultivava em Caldas

belas uvas européias…

No século dezenove

E no início do vinte

é que a cultura alcançou

o auge do crescimento

com maior intensidade

no sul do nosso país.

Com a chegada do imigrante

da colônia italiana

viu chegar a nossa terra

a técnica e o segredo

do que existe de melhor

no cultivo do vinhedo…

Aí, em Bento Gonçalves,

Garibaldi, Viamão

e em Caxias do Sul

o seu progresso foi tanto

que nosso vinho já forma

perto aos melhores do mundo…

VI

E hoje nós vemos

os campos tão belos

das ricas parreiras

com cachos seletos

seja em São Paulo,

Santa Catarina,

em Minas Gerais,

Rio Grande do Sul

e até no sertão

Vale São Francisco…

É este o presente,

legado dos deuses, que os imigrantes

trouxeram pra nós…

E agora podemos

até exportar

um vinho excelente

pra comemorar

as horas felizes…

nas festas… no lar…

VII

Tudo isto eu vi

naqueles segundos

no brilho do vinho

erguido na taça

e volto ao presente

em estado de graça!…

……………………………………

E um brinde eu faço:

“Aos viticultores

Aos vinicultores

Aos consumidores

Do nosso vinho!…”

Eunice Ribeiro Netto Sá Fortes

 

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