Vinho, amor e sexualidade: o valor do tempo – Parte 2

Vinhos que agradecem o tempo de guarda

Como disse em outro momento, a maioria dos vinhos não é feito para ser envelhecido e sim para ser degustado ainda jovem. A quase totalidade dos vinhos brancos secos deve ser degustada nos primeiros dois anos enquanto que os tintos, nos primeiros três ou quatro anos. Alguns poucos vinhos tintos e brancos franceses, espanhóis, italianos e portugueses, assim como alguns do Novo Mundo (em número bem menor), envelhecem bem e, em geral, ganham com esse processo. É bom lembrar sempre que gosto é uma questão pessoal, portanto, as mudanças que processam o vinho na guarda, obrigatoriamente não têm que agradar a todos.

Como os seres vivos, todos os vinhos nascem, maduram, envelhecem e finalmente morrem, porém cada um se desenvolve de modo diferente. Todos os vinhos são capazes de mudar com o tempo, infelizmente, muitos mudam para pior. Somente os grandes vinhos tendem a modificar-se positivamente através dos tempos.

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Para obter um vinho de longa guarda é necessária uma soma de fatores: “terroir” (clima, solo, latitude, altitude, etc.), tipo de uva, um bom manuseio do vinhedo e uma adequada elaboração, em que a “crianza” (educação) em madeira é fundamental. O vinho branco, para estar apto a envelhecer, tem que apresentar uma excelente acidez ou nível elevado de açúcar natural. Satisfazendo este último requisito, os vinhos brancos doces, em geral, envelhecem muito bem. Um exemplo é o Château d’Yquem, famoso vinho francês de Sauternes, capaz de evoluir positivamente por décadas, até mesmo século.

Um tinto exige, para uma longa vida, níveis altos de taninos e antocianos (presentes na casca da uva). Os taninos são responsáveis pela sensação de adstringência (que diminui ao longo do envelhecimento), ao passo que os antocianos dão a cor aos vinhos. É de se prever, portanto, que um tinto de safra recente, com pouca adstringência e coloração rubi clara, não deve ser de guarda. “Se um vinho combina os taninos de uma boa uva com um interessante grau alcoólico, uma acidez equilibrada, uma alta concentração de fruta e uma crianza racional em madeira, estão dadas todas as condições para uma longa e feliz vida em garrafa”, diz o jornalista argentino Gustavo Choren.

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Grandes vinhos merlot de Pomerol (mais ainda os de Médoc) ou pinot noir da Borgonha são capazes de mais longa vida, do que a grande maioria dos cabernet sauvignon do Novo Mundo. Syrah (principalmente da Côte de Rhône e Austrália), nebbiolo (Piemonte) e tannat (Madiran) são outras variedades de uvas tintas com grandes potenciais de guarda. Entre as brancas, podemos pensar em guardar chardonnay (principalmente da Borgonha, e raras espécies do Novo Mundo fermentadas em carvalho), a riesling e gewurstraminer (em grandes vinhos da Alemanha e Alsácia), viognier (Côte de Rhône), semillón e chenin blanc, presentes em vinhos doces, altamente longevos em Bordeaux e Loire, respectivamente. Clássicos tintos que valorizam com o tempo de guarda: Barolo, Amarones os grandes de Bordeaux e Borgonha, dentre outros.

E os fantásticos Portos e outros fortificados? Podem esquecê-los na adega. A valorização do tempo em adega se faz na razão direta da qualidade de safra. Excepcionais safras, em geral, dão vinhos mais longevos. São Pedro, cuidando do clima, favorecem as vinhas dando bons frutos e aí só poderia dar vinhos grandes e longevos.

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Qual o valor do tempo nas relações amorosas com os filhos? Na terceira parte vamos falar sobre isso.

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