O vinho na Antiguidade

Como, quando e onde tudo começa? Fábulas, verdades e controvérsias permeiam a origem do vinho.

historia3Sobre a origem do vinho a fábula mais citada é persa e fala de uma princesa (outros relatam ser uma donzela do harém) da corte do rei Jamshid, que tentando se suicidar ingeriu uma jarra cheia de suco com cheiro muito estranho, entendido como possível veneno. Nesta época tinha-se o costume de manter uvas em jarras para serem comidas fora da estação. Em vez de morrer, a princesa se sentiu liberta das angústias, muito alegre, tendo um tranqüilo sono. O rei ao saber por ela o ocorrido determinou que uma grande quantidade dessa bebida (“vinho”) fosse servida a toda a corte.

É bem provável que a descoberta do vinho tenha se dado por causalidade, como muitos dos grandes descobrimentos (telefone, penicilina, etc). Sabemos que a uva tem uma tendência natural a fermentar, e alguém ao esquecer uvas em um recipiente fez com que a fermentação ocorresse. Quando provado o líquido resultante a pessoa deve ter dito: “que trem bão sô!”

Brincadeiras à parte as primeiras evidências científicas de videiras (fósseis) datam de 60 milhões de anos.  Pode-se estabelecer que o cultivo da uva e a prática de beber vinho começam por volta de 4000 aC a 6000 aC. Portanto, o cultivo da videira e a elaboração do vinho remonta a mais alta antiguidade, confundindo-se, como dissemos anteriormente, com a história da humanidade.

Vinho na tradição judaico-cristã

O mais antigo texto sobre isso está no Antigo Testamento quando nos diz que Noel arou a terra, plantou uma videira e o vinho foi feito. Portanto, a presença do vinho na tradição judaico-cristã vem desde os primeiros tempos, sendo citado na Bíblia mais de 200 vezes, vindo mais tarde a ter um papel determinante no ritual da comunhão.

Abaixo, coloco algumas coisas interessantes sobre vinho, extraídas do livro “O evangelho de João”, traduzido e comentado por Jean-Yves Leloup (Ed. Vozes):

“tendo acabado o vinho,

a mãe de Jesus disse-lhe:

Eles não têm vinho.”

Em Israel o vinho é sagrado. É como o trigo e o azeite, não só um gênero alimentício essencial para a vida humana, mas também um “suplemento” que simboliza a graça ou a presença de Deus no coração do homem. A tradição cristã irá interpretar igualmente esse versículo em sentido messiânico: antes da vinda de Cristo Messias, “havia falta de vinho”.

“O vinho alegra o coração do homem” (Sl.l04,l5). É neste sentido que a sabedoria é “vinho” porque sua meditação traz a mais viva alegria. “Sua companhia não provoca amargura, nem aflição o seu convívio, mas sim contentamento e alegria”.

“Amigos, bebei, embriagai-vos, meus bem amados”- por esta razão, diz-se que a caridade é vinho”.

Entre as inúmeras citações sobre vinho na Bíblia, algumas falam da necessidade de seu uso moderado.

Vinho e outras bebidas

Culturas fermentáveis como o mel e cereais são mais velhas do que a uva, porém o produto delas, hidromel e cerveja nunca foram capazes de provocar como o vinho, o mesmo impacto social através dos tempos. Para os amantes da cerveja, quando brincam comigo dizendo ela ser melhor que vinho, em geral refuto utilizando uma frase que ouvi em algum momento: “Se o vinho não fosse a melhor bebida, Jesus teria transformado a água em cerveja”. E quem sou eu para contrariar Jesus?

Origem do vinho

historia2Há controvérsias quanto ao local de origem do vinho, provavelmente se deu na Ásia Central, em torno do Mar Cáspio e Mesopotâmia, perto do atual Irã. Outros defendem que seu berço inicial é europeu, na região norte do Cáucaso (hoje Geórgia e Armênia) onde já existia nas épocas terciária e quaternária.

Popularizada a cultura do vinho logo ela chega ao Egito, e em seguida a Roma e Grécia. É do Egito que se têm os primeiros registros de vinificação (poda, etc). O vinho teve enorme importância para as civilizações grega e romana. Entre os gregos o vinho se personificou na figura do deus Dionísio, em cuja honra se fazia festas e estranhos rituais. Baco, deus do vinho entre os romanos, cresceu tanto entre eles, particularmente com as mulheres, escravos, pobres, que passaram a vê-lo como um deus salvador. Os imperadores tentaram a todo custo proibir estes rituais, porém não tinham o sucesso esperado. Por outro lado, sabemos que muitos imperadores adoravam o vinho, destacando entre eles o famoso Júlio César. Como um grande amante de vinho teve a preocupação de introduzi-lo em todo o Império Romano.

Período greco-romano

historiaNo período greco-romano os deuses do vinho eram muito venerados pelos seus poderes inebriantes e afrodisíacos. Festas e orgias em honra a Dionísio (gregos) e Baco (romanos) aconteciam com certa frequência em que se serviam muito vinho e comida, além de prazeres sexuais. Entretanto, o vinho também era associado a tranqüilidade, descanso e alívio. A partir do momento que o cristianismo se torna em religião dominante, desaparecem Dionísio e Baco, assim como os bacanais, pois todos foram severamente criticados pelas autoridades eclesiásticas da época. Bacanal é o nome que se dava aos rituais religiosos romanos, em homenagem ao seu deus do vinho Baco, por ocasião das vindimas. Conhecidas como festas dionisíacas no mundo grego.

Os médicos gregos foram os primeiros a prescreverem o vinho como medicamento, incluindo Hipócrates, considerado mais tarde o pai da medicina. Os gregos também aprenderam a adicionar ervas e especiarias ao vinho para disfarçar a deterioração. Com a difusão da civilização grega essa bebida mágica chega à Europa por volta de 1600 aC. São os gregos os responsáveis pela introdução de vinhas e produção de vinhos em suas colônias do Sul da Itália, conhecida como “Oinotria”ou “terra do vinho” por eles, designado mais tarde como Enotria pelos romanos. Nesta época não se pode deixar de considerar o papel importante na difusão e comércio do vinho dos fenícios.

No entanto, a força da vinicultura na Europa Ocidental é devida principalmente a influência dos romanos.  Começando cerca de 1000 aC, os romanos trouxeram grandes contribuições ao mundo do vinho, tais como na classificação de castas, descrição de características de amadurecimento da uva, identificação e reconhecimento de doenças do solo, pThey became skilled at pruning and increasing yields through irrigation and fertilization techniques Técicas   T   oda e aumento de rendimentos através da irrigação e técnicas de fertilização. Os romanos foram os primeiros a usar jarras de cerâmica para armazenar o vinho, porém foram os celtas do Norte da Europa Central que começaram a usar barricas de madeira (carvalho) semelhantes às usadas hoje para guardá-lo.

Podemos dizer que “os mais antigos caminhos conduziam a Roma” lembrando um ditado na época entre eles, que dizia que “todos os caminhos levam a Roma”. Sem dúvida, o papel que Roma teve em termos de vinho para a Antiguidade é impressionante, comparável o que Bordeaux teve para a Idade Média.

Com a queda do Império Romano há um arrefecimento importante na produção do vinho, recuperado depois entre os séculos XII e XVI.

Na quarta-feira continuo a contar esta história! Até lá!

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