Quem é esse HPV que já tem até uma vacina contra ele?

 Esse tal de HPV é um vírus já conhecido há centenas de anos, mas ele “criou fama” na década de 70, quando foi descoberta sua relação com o câncer do colo do útero. Inicialmente houve muito alarme em relação ao HPV, chegaram até a chama-lo de “Vírus Assassino”. Sem dúvida, seria melhor se ele não existisse, porque sem ele não haveria o câncer do colo do útero. Mas atualmente há muito que podemos fazer para que ele não seja tão “assassino” assim!

Estima-se que 75% da população sexualmente ativa entre em contato com um ou mais tipos de HPV durante toda sua vida. Isso se deve porque essa vírus localiza-se no revestimento dos órgãos sexuais femininos e masculinos e já no contato externo, mesmo sem penetração, pode haver contaminação por ele. É claro que a camisinha reduz a área de contagio, mas não impede totalmente a transmissão do HPV. É importante reforçar que a camisinha é excelente para prevenir a AIDS (HIV), e que deve sempre ser usada.

A infecção pelo HPV é muito freqüente, mas 80% das pessoas que se contaminam com esse vírus conseguem neutraliza-lo com suas próprias defesas (anticorpos) e não ter doenças significativas relacionadas a ele. Isto é, nem toda infecção pelo HPV vai terminar em um câncer. Entretanto, 20% das mulheres que não conseguem se livrar dessa infecção vai formar um “pré-câncer”, que é a primeira fase da doença, onde as alterações das células provocadas pelo vírus estão apenas na parte mais superficial do colo do útero. Esse “pré-câncer” pode ser descoberto pelos exames de colposcopia e citologia e tratado através de uma pequena cirurgia, impedindo sua progressão até o câncer. Se não é feito um diagnóstico nessa primeira fase da doença, silenciosamente, sem que a mulher perceba nenhum incômodo, o “pré-câncer” vai se espalhando e passa a ser um “câncer propriamente dito”, ficando mais difícil curar, principalmente, se ele já estiver muito disseminado. A verdade é que esse câncer ainda mata muita gente, sendo ele a segunda causa de morte por câncer na mulher. A cada dois minutos uma mulher morre de câncer do colo do útero no mundo.

A partir do conhecimento que sem infecção pelo HPV não haveria o câncer do colo uterino, foi desenvolvida a Vacina contra o HPV para evitar contaminação por esse vírus. Essa vacina apresenta uma alta eficácia para evitar esse câncer, determinando uma proteção de 70 a 80% contra os HPVs que o provocam. É uma vacina segura, incapaz de produzir as doenças induzidas pelo HPV.

A vacinação completa contra HPV é feita através de 3 doses em um período de 6 meses e vai promover uma reação de defesa no corpo, uma produção de altos níveis de anticorpos, que impedem a infecção dos mais frequentes tipos de HPVs que podem fazer o câncer do colo uterino.  Significa que sem HPV não há como ter o “pré-câncer” nem o câncer.

Existem 2 marcas de Vacinas contra HPV em uso, com pequenas diferenças entre elas. Ambas eficazes contra o câncer do colo do útero, seguras e incapazes de provocar doenças induzidas pelo HPV . Uma delas, também, protege contra os HPV que provocam verrugas (condilomas) que são lesões benignas na genitália, mas que incomodam e chateiam.

As bulas das vacinas recomendam que elas sejam feitas entre 9 e 26 anos porque os estudos estatísticos mostraram que é nesse grupo etário onde se encontra o maior número de mulheres ainda não contaminadas pelo HPV. Sem dúvida, o ideal é vacinar as mulheres mais jovens, antes do contato sexual, ou com um menor número de parceiros. Mas, mesmo que a pessoa já tenha sido infectada por um dos tipos de HPV, a vacina pode protege-la dos outros tipos contidos nela. Quanto à idade, há estudos que mostram que essas vacinas são eficientes e seguras até os 55 anos, podendo ampliar seu benefício, também, para as mulheres mais velhas. Foi aprovado no Brasil o uso de uma dessas vacinas para proteger os meninos e os homens contra as doenças induzidas pelo HPV. Quanto mais meninos e meninas, homens e mulheres forem imunizados contra HPV mais cedo poderemos erradicar o câncer do colo do útero no mundo.

A Vacina contra HPV é altamente eficaz e pode evitar 70 a 80% dos HPVs que provocam o câncer do colo do útero. Entretanto, para obter uma proteção de 100% contra essa doença é necessário que mesmo após as três doses dessa vacina, as mulheres continuem a realizar seus exames preventivos (citologia e colposcopia) de rotina, caso já tenha iniciado a atividade sexual.

Enfim, a Vacina contra HPV é a mais nova aliada na prevenção do câncer do colo do útero, condilomas e outros cânceres ligados a infecção pelo HPV. Então, é bom lembrar do ditado popular: ”Prevenir é melhor do que remediar”.

Texto de Angelina Maia – Ginecologista, especialista em Prevenção do Câncer do Colo do Útero, Doenças da Vulva, Vacinas contra HPV e Sexualidade. Atende na Clínica Angelina Maia (3221.2927) e Hospital das Clínicas da UFPE (2126.3512).

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