A arte de amar e sua relação com vinho segundo Ovídio

Em alguns momentos do livro A arte de amar, Ovídio mostra a relação entre vinho e sexualidade, como podemos observar abaixo:

“Começo pelos cuidados com a pessoa: são as vinhas cuidadas que dão vinho em abundância; sobre um solo cultivado se anunciam grandes colheitas”. Aqui ele fala da relação do auto-cuidado e auto-imagem como fatores importantes no ato de se amar, e poder amar o outro. Nessa época vinhas boas eram aquelas que davam uvas em abundância, o que hoje é totalmente descabido.

“Então você poderá, com palavras ocultas, dizer mil coisas que sua vizinha sentirá ditas para ela, traçar ternos sinais com um pouco de vinho, para que ela leia sobre a mesa que é a dona de seu coração, e fixá-la nos olhos com olhos que confessem sua chama. Às vezes um rosto mudo tem uma voz e um verbo eloqüentes. Tente apoderar-se primeiro da taça que foi tocada pelos lábios encantadores dela, e do lado em que ela bebeu, beba também. Todas as iguarias que os dedos dela tocarem, pegue-as, e, pegando-as, toque em sua mão”.

“O vinho prepara os corações e os torna aptos aos ardores amorosos; as preocupações fogem e se afogam nas múltiplas libações. Em seguida, nasce o riso; então o pobre se enche de coragem; depois desaparece a dor bem como nossas preocupações e as rugas de nossa fronte. Logo as almas se abrem numa franqueza bem rara em nosso tempo; é o que deus expulsa os artifícios. Lá muitas vezes o coração dos jovens foi cativado; Vênus após o vinho é fogo sobre o fogo. Mas não dê muito crédito à enganosa claridade do lampião: para julgar a beleza, a noite e o vinho são ruins. Foi de dia e ao ar livre que Páris olhou para deusas e disse à Vênus: “Você é superior às suas duas rivais, Vênus”. A noite dissimula as manchas e é indulgente com todas as imperfeições; nestas horas qualquer mulher parece bela. Tenha o dia como conselheiro para julgar as pedras preciosas ou a lã tingida de púrpura; tenha-o como conselheiro para julgar os traços do rosto e as linhas do corpo”.

Termino com uma frase de Ovídio: “Dispa todo orgulho, se você quiser ser amado por muito tempo.”. Essa frase é válida para a sexualidade e o amor, assim como para aqueles que pretendem iniciar-se no mundo do vinho. O vinho quando degustado às cegas (em que não se visualiza seu rótulo) teima sempre em nos surpreender, fulminando com qualquer orgulho.

Humildade é condição fundamental para qualquer aprendizagem, já dizem os sábios. Dedicação, determinação e humildade são pré-requisitos para a aprendizagem da arte do amor e de degustar o vinho.

Em matéria de sexo, amor e vinho somos eternos aprendizes!

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