O universo da paixão

Quando a paixão acontece entramos em estado de graça. Estar apaixonado é ficar ao mesmo tempo em aceleração e entorpecimento. Todos os sentidos ficam aguçados, e ao mesmo tempo há um relaxamento pleno quando estamos próximos da pessoa amada. Ficamos mais bonitos, alegres e dispostos. É um estado de euforia incompatível, o casal quer estar junto o tempo todo. Vive de uma forma tão intensa essa união que o mundo ao redor não existe e a presença de amigos e familiares até atrapalha.

Há uma série de mecanismos inconscientes nessa atração intensa. Sentimentos estão sendo resgatados, como o amor que se perdeu no passado, as carências da infância, os desejos inconfessáveis. A sensação é de que alcançamos um grau de sintonia e entrosamento jamais alcançado, e na pessoa só identificamos os interesses, objetivos e projetos semelhantes.

Costuma-se falar que há uma química entre os apaixonados, e nesses estados de encantamento, essa química entre os amantes motiva uma “pseudoloucura”, e a presença do fenômeno torna o desejo quase insaciável. A sexualidade nessa circunstancia passa a ser uma fonte inesgotável de prazer, em que praticamente não existe espaço para os problemas sexuais.

Pode-se afirmar que a paixão se constitui em um verdadeiro afrodisíaco.

Há estudos que dizem que a paixão tem um tempo de duração determinado: cerca de dois anos, aproximadamente. Outros afirmam que pode durar mais. Há ainda os que atribuem a ela um tempo máximo de seis meses.

Deixando de lado o debate entre as diversas linhas de pensamento, o fato é que nos primeiros dois anos de relacionamento a atividade sexual é mais intensa, ou seja, há uma necessidade vital da presença do outro. Passando esse período, o casal não se enxerga mais pela lente cor-de-rosa da paixão. Gradualmente, começam a incomodar alguns aspectos que provavelmente já existiam, mas não eram percebidos. Surge, então, toda sorte de incertezas e inseguranças, que provocam um estado permanente de irritabilidade e intolerância e também levam à redução da freqüência sexual.

Na verdade, é possível comparar um romance á construção de um edifício. No decorrer da paixão, o relacionamento sobe 10, 15 andares de uma vez só, mas a base, que é o companheirismo, a amizade, o respeito, ainda não foi cimentada. Certamente, será preciso muito mais concreto para fortalecer a estrutura e, caso não haja sustentação suficiente, o prédio irá desabar.

Muitas vezes, a paixão dura pouco devido à projeção que a pessoa faz sobre o ser amado. O homem, por exemplo, pode achar que finalmente vai ser a pessoa mais feliz do mundo com a mulher bonita ou inteligente que acaba de conhecer. E ela pode acreditar, por sua vez, que finalmente encontrará o sucesso por causa daquele homem que tem muito destaque no seu grupo social. São muitas as projeções possíveis.

Consciente ou inconscientemente, as pessoas se relacionam por meio de suas carências. Vêem no outro a solução. Mas a solução depende exclusivamente da própria pessoa e da sua capacidade de desenvolver atitudes de companheirismo e compreensão para se relacionar com respeito e amizade. São esses ingredientes que vão sustentar a relação e manter a chama acessa por mais tempo.

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