Avaliando sentindo o vinho | Parte 3

O ato de degustar um vinho representa uma viagem repleta de emoções que contemplam não só a visão, mas o olfato, o tato, a sensação térmica, o gosto, a memória – e que traz uma sensação de divertimento muito prazerosa.

Alguns vinhos exigem que os degustemos com alma para que possamos compreender sua essência. Outros não encontram unanimidade: são do tipo ame-os ou deixe-os, como alguns do Novo Mundo, com teor alcoólico próximo de 16%, que tocam mais o fígado do que meu coração. Cada vez me canso mais desses vinhos (tintos) pesados. Depois de uma taça, a boca já está cansada, entediada. O vinho tem que transmitir, sempre, elegância e ternura. A maioria dos que estão no mercado (e desses, quero distância) não é capaz de despertar paixões, de modo que não toca o coração.

Voltemos à questão da ‘flecha do Cupido’ (relatada na parte 2), que utilizo para os vinhos memoráveis, “fora de série”.  “A flecha onírica é comunicação do amor, a mensagem de seu coração. Acertar com uma flecha o alvo, quer dizer que a notícia atingiu o seu objetivo” (Assuramaya).

Na mitologia grega, entre os deuses do Olimpo estava Afrodite – deusa do amor e da beleza sensual. Capaz de seduzir todos, deuses ou mortais. O nome romano para Afrodite é Vênus. Filho de Afrodite e Ares, Eros, o mais jovem dos deuses, se mostra um dos personagens mais complexos da mitologia grega. Ele personifica todos os sentimentos ligados ao amor e ao desejo; dotado de asas e armado de arcos e flechas, que, quando atiradas certeiramente no alvo, deixam o coração dos mortais e dos imortais completamente inflamados de amor. Cupido é o nome romano de Eros.

Se o vinho foi capaz de propiciar um momento mágico, inesquecível, arrebatador, sem dúvida é um “fora de série”, e não há como não usar a ‘flecha do Cupido’ e deixar de lhe dar uma nota entre 96 e 100 pontos. São poucos os merecedores dessa pontuação e sempre no final de ano noticio aqueles que mereceram tal oferenda.

“A primeira flecha ninguém esquece”, diz a música de Vinícius Cantuária e Evandro Mesquita. O primeiro vinho degustado “fora de série” também não é esquecido, jamais. Nessa mesma música, os autores são muitos felizes quando dizem que “flecha de amor, não dói” – com a ressalva de que, no caso do vinho, pode doer no bolso, pois, geralmente, os dessa categoria são muito caros.

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