Mitos do orgasmo feminino

Observamos ainda nos dias de hoje, que a questão do orgasmo feminino é motivo de uma série de controvérsias. Uma delas diz respeito à obrigação de tê-lo e não ao direito de vivenciá-lo. Uma coisa é o direito que toda mulher tem ou pelo menos deve ter de experienciar as sensações do orgasmo, outra é a de estar presa à ditadura do orgasmo que funciona como uma das violências sexuais no mundo moderno.

mitos do orgasmo feminino

Dentre alguns conceitos errôneos sobre o orgasmo feminino podemos citar:

  1. A obrigatoriedade de toda relação sexual culminar em orgasmo: a maioria das mulheres se sente obrigada pelo parceiro, por ela mesma ou pela sociedade, de ter orgasmo todas as vezes que tem atividade sexual. Toda relação sexual tem que ser vivenciada com prazer, não necessariamente orgástica. Prazer não é sinônimo de orgasmo. Orgasmo é uma forma de prazer dentre as possíveis experiências prazerosas que o sexo propicia.
  2. A única forma de obtê-lo seria através do coito: A maioria dos homens tem a ilusória visão de que todas as mulheres deveriam ter orgasmo através da penetração. Pesquisas comprovam que a maioria delas (80%) não atingem o orgasmo pelo coito, e que essas mulheres são tão normais quanto aquelas que conseguem o orgasmo pela penetração (20%). Este mito é tão freqüente que acaba afetando as próprias mulheres que não conhecem seu corpo e não buscam conhecê-lo. A partir de trabalhos de estudiosos como Masters e Johnson (pioneiros no estudo da sexologia) foi possível detectar que a atividade orgástica feminina se relaciona com a estimulação do clitóris direta ou indiretamente, tanto através do coito, como em outras atividades sexuais (masturbação, sexo oral, etc.). Existem ainda raras exceções de algumas mulheres que chegam ao orgasmo sem nenhuma estimulação tátil, apenas com fantasias (menos de 1%).
  3. A existência de dois orgasmos (clitoriano e vaginal): Como dito no item acima, não se pode falar em orgasmo clitoriano ou vaginal. Podemos falar em mulheres que só têm orgasmo através de estímulos diretos no clitóris (a maioria) e aquelas que conseguem através do coito. A tentativa de desvincular um do outro é ineficaz visto que o objetivo não é saber de onde vem o orgasmo, e sim sentir o prazer e as sensações proporcionadas por tal resposta sexual.
  4. A obrigatoriedade do orgasmo mútuo, simultâneo – “vamos gozar juntos?”: a maioria das pessoas acha que o orgasmo é proporcionado pelo outro, mas na realidade cada um é que sente seu orgasmo, algumas vezes de maneira mais intensa e prolongada e outras vezes menos intensa e prolongada. É bom que se diga que nenhum homem é responsável pelo orgasmo de sua parceira, ele apenas facilita ou dificulta. Facilita quando é carinhoso e tem um certo controle na ejaculação, porém o fato dela chegar ou não independe dele e inclusive dela. O orgasmo é um fenômeno que acontece e não depende totalmente de nossa vontade. Transferir a responsabilidade de seus sentimentos para o outro nem sempre é uma vivência saudável. Algumas vezes os parceiros podem sim chegar ao orgasmo ao mesmo tempo, mas cada um a sua maneira e com o seu prazer.

Mas, afinal, o que é normal? Podemos dizer que seriam “normais”, aquelas mulheres que conseguem, em um envolvimento com o parceiro, obter orgasmos na maioria das vezes, independentemente que para isso exija estimulação (oral, manual ou até de massageador) de seu clitóris por ele ou por ela.

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2 comentários sobre “Mitos do orgasmo feminino

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